Dificuldades, mau tempo e adaptação

Muitas vezes, encaramos as dificuldades da vida como mau tempo e dizemos: “Isto vai passar”. A prudência e a confiança de que a bonança há-de vir depois da tempestade são óptimas. O problema é que, frequentemente, desistimos de viver enquanto o mau tempo não passa.
Há um provérbio inglês que diz que não existe essa coisa de mau tempo, o que há é roupa inadequada.

Nós mudamos porque as situações mudam. Muitas vezes surgem dificuldades imprevistas acima dos recursos que acreditamos ter disponíveis. As respostas ‘normais’ que o nosso cérebro nos apresenta são:
Fuga, Paralisação e Luta. Em inglês, conhecidas como os 3 Fs: **Flight, Freeze, Fight.

Podemos facilmente intuir como seria cada uma destas reacções ao deparar com um animal feroz. Em alguns casos, a paralisação até nos pode salvar a vida se fizermos de mortos.

Nas circunstâncias mais correntes da nossa vida, não é provável que tenhamos de nos defender de animais ferozes.

É mais natural que tenhamos de lidar com questões de doença, impostos, local de trabalho, relacionamentos íntimos, etc.

A espera até que o mau tempo passe é muito boa quando nos abrigamos de um aguaceiro repentino, mas não é solução quando nos inibe de dar uma resposta adaptativa aos desafios que surgem, desprovendo-nos do poder de ser donos das nossas decisões.

Na PNL, falamos de estar no ligar da Causa como a importante capacidade de escolher os seus estados ou configurações de corpo e mente.

Somos adaptativos por natureza, mas, ao mesmo tempo, o nosso cérebro mais primitivo teme as mudanças bruscas.

Qual é o momento de mudar? Em cada instante, o nosso corpo e o nosso inconsciente ajustam o seu estado para preservar o equilíbrio. E fazem-no no estilo japonês de Kaizen – mudanças pequenas e cumulativas.

Ao fazermos isto mesmo, podemos interrogar-nos: ‘qual é a pequena mudança que eu posso de facto realizar e terá já impacto na minha vida?’. Podemos ‘substituir impacto na minha vida’ por ‘impacto no que estou a pensar’ ou ‘impacto na forma como dou atenção ao que acontece’ ou ‘na forma como uso e alimento o meu corpo’ ou ainda ‘na forma como vivo os meus sentimentos e emoções’.

Vamos então para a vida, com todos os seus desafios, tendo o cuidado de vestir a roupa mais quente.

Às vezes, o apoio de um coach (designadamente usando as abordagens da PNL) pode ser precioso neste processo de ajudar a encontrar a roupa adequada.

Carlos Baltazar
Publicado em 26/11/2019

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